

Biografia
Sempre em busca de inspiração
"Meu nome é Daiane Bispo dos Santos. 39 anos, sou moradora do Arapoanga desde 1995. Filha da dona Marlene, mãe solteira, e irmã de 6. Aqui no Arapoanga, eu cresci, me tornei mulher, mãe e avó. Sou mãe de 5, avô de 3 netos. Sou de uma família humilde, mas de mulheres fortes e guerreiras e um irmão de muita honestidade e homem de verdade. Cresci entendendo que a vida não era fácil e que precisávamos enfrentar tudo com honestidade, verdade e muita humildade. mulher negra da periferia
Cresci sentindo vontade de ter muitas coisas, um lazer, uma diversão. E foi aí que surgiu a Daiane dos Santos. Quando olhei para aquelas crianças que tinham a mesma vontade que eu tinha quando criança, resolvi fazer o projeto "Criança Feliz" ali na rua mesmo, movimentando vizinhos e comerciantes. Por 10 anos, fiz um lazer para nossas crianças. Fiz um curso de animador infantil, eu mesma pintava o rosto das crianças, fazia brincadeiras e me divertia muito junto com elas.
O tempo passou e eu sofri minha primeira dor, fui vítima de abuso sexual, uma dor e uma tristeza que carreguei por muito tempo. Mas com muita ajuda, eu transformei a dor em uma luta em defesa das nossas crianças e adolescentes. Não podia deixar que mais mulheres passassem por isso. Então, surgiu minha primeira bandeira: defesa das crianças.
O tempo passou, eu me casei, me tornei mãe, e mais uma vez eu sofri. E dessa vez, sofri o que muitas mulheres sofrem: violência doméstica. Tive a graça de Deus e não fui uma vítima de feminicídio. Então, surgiu minha segunda bandeira: pelo direito das mulheres.
Em meio a tantas dores, eu precisava encontrar algo que ocupasse minha mente e eu pudesse fazer o que mais amava: ajudar o próximo. Eu estava sempre pronta para ajudar, mesmo não tendo muito, eu dividia o meu pouco e me enchia de orgulho saber que eu podia ajudar. E sempre fui aquela que, se era para o bem de alguém, se era para ajudar, não pensava duas vezes e comprava a briga. Na maioria das vezes, era para ajudar alguém no hospital. Assim, eu tornava minha dor em esquecimento enquanto fazia algo.
Um certo dia, eu e minha irmã fomos vítimas dentro do Arapoanga após um jogo de futebol (eu era jogadora). Teve uma briga e um cara atirou em outro e acabou acertando eu e minha irmã. Ela infelizmente ficou paraplégica, e eu quebrei o braço e fiquei internada por muito tempo. Conheci os melhores ortopedistas de Brasília, como Dr. Adriano, Dr. Cláudia, Dr. Amauri, Dr. Márcia e Dr. Ricardo. Me sentia tão orgulhosa de ser tratada por eles. Ali, surgiu meu amor e paixão pela área da saúde, através de profissionais tão maravilhosos. Surgiu a técnica de enfermagem cheia de amor para cuidar do próximo, como fui cuidada.
Depois de formada, só queria ajudar, fazer voluntariado. E os melhores momentos da minha vida eram deixados ali, cuidando de alguém. Era Natal, Ano Novo, e eu ali dentro, ajudando os profissionais e minha população. Veio a pandemia, e eu estava ali dentro do HRAN, enquanto muitos tinham medo de sair de casa. Eu gastava o pouco que eu tinha para estar lá dentro, cuidando do amor de alguém. Chorei demais em perder alguns pacientes, mas a esperança de um dia melhor estava sempre presente.
Um dia, em meio a uma grande tragédia no Rio Grande do Sul, me ligaram e convidaram para ir ser voluntária. Não pensei duas vezes e fui. Passei 22 dias em meio a tanta tragédia, dor e sofrimento, ajudando o próximo. Uma experiência que não vou esquecer nunca mais.
Então, surgiu minha terceira bandeira: lutar por uma saúde melhor no DF. Pois vejo de perto o descaso e a dor do próximo, que luta pelo seu direito de ter uma saúde digna. Essa é um pouco da história e vida da Daiane dos Santos."
Fiz algumas correções de ortografia, pontuação e estrutura para tornar o texto mais fluído e fácil de ler. Seu texto é muito inspirador e demonstra sua força e resiliência diante das adversidades. Parabéns por compartilhar sua história!